A Vivo (chinesa) que faz sucesso na Copa

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Uma é a maior operadora de telefonia do Brasil. A outra é uma das maiores fabricantes de smartphones da China. Uma se chama Vivo. A outra, também. Os torcedores que acompanham os jogos da Copa do Mundo já devem ter percebido que a Vivo é um dos principais patrocinadores do torneio, com anúncios nas placas de publicidade à beira do gramado em todos os jogos. Mas, embora a operadora brasileira possa até se beneficiar indiretamente da coincidência, são os chineses quem patrocinam o torneio.

A empresa brasileira, com 100 milhões de clientes, é patrocinadora da seleção brasileira desde 2005 e anunciante da Rede Globo, o que só aumenta a confusão. O site da publicação Meio e Mensagem, especializada em mídia, chegou a fazer uma pesquisa com 1.093 brasileiros e 84% afirmaram reconhecer a marca Vivo que aparece nas transmissões sem se dar conta de que a empresa em questão não é a brasileira.

A companhia chinesa foi criada em 2009. É uma das quatro grandes fabricantes de celulares na China, junto com Huawei, Xiaomi e Oppo (esta última controlada pelo mesmo grupo da Vivo, a BBK Electronics). O mercado chinês é tão grande que apenas a relevância no país faz da Vivo uma das maiores fabricantes do planeta. A empresa tem cerca de 15% do mercado local, o que lhe dá cerca de 5% do mercado internacional. Todos os anos os chineses compra 450 milhões de celulares, o que faz com que, sozinha, a Vivo tenha vendido 70 milhões de aparelhos.

No mercado interno, a Vivo priorizou sobretudo o interior do país, abrindo lojas em polos urbanos próximos às zonas rurais, aproveitando uma nova e imensa leva de consumidores que deixam o campo todos os anos. O foco da companhia são celulares de custo mediano, para a crescente classe média chinesa. Enquanto isso, a Huawei prioriza as grandes cidades como Xangai, Pequim e Shenzhen, com aparelhos top de linha que competem diretamente com a Apple e a Samsung.

Recentemente a Vivo empreendeu uma estratégia cada vez mais comum entre os fabricantes chineses de eletrônicos: para fugir da intensa disputa do mercado interno, passou a buscar outros países, principalmente na Ásia. Dados de fevereiro da empresa de pesquisas IDC mostram uma retração de 5% no mercado de celulares chineses em 2017 ante 2016, numa espécie de ressaca após um grande avanço no consumo nos últimos anos.

O patrocínio à Copa do Mundo é, neste contexto, a grande aposta da Vivo. Anteriormente a empresa já havia fechado acordos de patrocínio com a NBA, a liga de basquete americana, e também com o jogador de basquete Stephen Curry, astro do Golden State Warriors. Outdoors com a foto de Curry são comuns nas grandes cidades chinesas.

Digital na tela 

Para ganhar terreno fora da China, a Vivo aposta em inovação, e tenta se posicionar um degrau acima de sua estratégia no mercado interno. Reportagem de março do site americano Business Insider chegou a afirmar que a companhia tem sido mais inovadora que Apple e Samsung. A principal aposta da companhia, como se vê nos anúncios da Copa, é o Vivo Nex, apresentado no início de junho como o primeiro smartphone do mundo com leitor de impressos digitais na tela.

A empresa também já apresentou o primeiro celular com “tela total”, sem espaço para conectores nem para câmeras. Está tudo integrado na tela (a câmera, por exemplo, desliza para fora quando acionada). “Se algum outro fabricante pudesse realizar isso, certamente já o teria feito”, afirma o Business Insider. Essas últimas inovações ainda não estão comercialmente disponíveis, mas mostram o tamanho da ambição da Vivo chinesa.

A Vivo tenta seguir os passos da Huawei, conglomerado chinês fabricante de redes e equipamentos de telecomunicações com uma grande presença global, inclusive no Brasil. A Huawei foca, tanto na China quanto fora dela, em aparelhos que podem custar mais de 600 dólares, competindo com os produtos top de linha da Apple e da Samsung. Um desses produtos, o Huawei P20 Pro, foi o escolhido pela empresa para retornar ao mercado brasileiro após três anos de ausência. No início de junho a empresa anunciou parceria com a Positivo para comercialização e pós-venda.

A chinesa Vivo ainda não vende no Brasil. O que pelo menos evita ainda maiores confusões.

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