Campanhas usam holografia para chamar atenção nas ruas

São Paulo – No “vale tudo” eleitoral, marqueteiros e estrategistas de campanha se desdobram para chamar a atenção em meio a um mar de candidatos, principalmente para o Legislativo.

Em relação ao pleito de 2014, o número de postulantes a uma vaga para a Câmara dos Deputados cresceu 19,5%, chegando a 8.532, ou 16,63 candidatos por vaga, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Foi pensando em atrair o olhar do eleitor – e depois de outros clientes– que os publicitários Gabriel Cecilio e Leandro Nunes decidiram trazer a holografia para a campanha eleitoral no Brasil e fundaram, no início do ano, a empresa Holo Ahead.

Em viagens pelo exterior, a dupla viu como a holografia, capaz de criar imagens tridimensionais em tamanho real, chamou a atenção de eleitores em lugares como a Índia e a França. Mas, por conta do alto custo da tecnologia, descartaram trazê-la para o Brasil.

Em vez disso, desenvolveram uma solução adaptada à legislação brasileira, que não permite peças visuais de comunicação maiores que 50 cm, e criaram uma espécie de redoma holográfica que fica acoplada a uma mochila e pode ser transportada para vários lugares.

“Vimos uma oportunidade. Como o ambiente on-line é totalmente pulverizado e existe dificuldade de debater com o eleitor, nós enxergamos que essa tecnologia pode ser usada para chamar atenção e gerar o debate nas ruas”, afirmou Cecilio em entrevista a EXAME.

Como funciona

A redoma abriga uma lâmina com uma fita de LED de última geração, descoberto por Cecilio na China. Por meio de um aplicativo, a campanha pode enviar ao equipamento as imagens ou vídeo que quer sejam “projetadas”. Quando a lâmina gira no próprio eixo cria a holografia.

“Não há uma projeção da imagem. O olho humano projeta aquela imagem dentro da redoma por conta da velocidade de rotação”, explicou o publicitário.

A tecnologia foi exibida nas convenções partidárias de partidos como PSDB, MDB e PT e foi muito bem recebida, segundo o empresário.

Ele não revela o faturamento da empresa, nem quantos e quais contratos foram fechados, mas afirma que não totalizam dez campanhas e que nenhum candidato a presidente contratou o serviço.

Segundo Cecilio, de 250 mochilas com a esfera disponíveis, 120 foram contratadas. Mas nem todas já estão nas ruas.

“Alguns querem usar na reta final da campanha”, disse. A empresa trabalha com pacotes diários de 400 a 500 reais.

Uma das campanhas que optou pelo uso da tecnologia foi a do candidato a deputado federal por São Paulo e presidente do Partido Verde, José Luiz Penna.

Segundo Gerson Faria, assessor de Penna e membro da campanha, o produto chamou a atenção nas saídas que fizeram.

“Funciona como um indutor. Por ser uma novidade, as pessoas se interessam e se aproxima, o que facilita a comunicação e a abordagem com possíveis eleitores”, afirmou Faria.

Na semana passada, a presidenciável Marina Silva, cujo partido, a Rede, está coligado com o PV nacionalmente, postou um vídeo de 24 horas de duração no Instagram sendo apresentada à mochila. Mas nada de concreto foi fechado ainda, segundo a empresa.

Para Faria, o produto funciona por ser novidadeiro e chamar atenção. “Se espalhar demais, aí perde o efeito”.

Lá fora

No exterior, a holografia em tamanho real foi bastante utilizada pela campanha do hoje primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Em 2014, durante a corrida eleitoral indiana, Modi discursou como um holograma diversas vezes para seus eleitores em mais de um lugar ao mesmo tempo. A tecnologia permitiu que ele se replicasse na corrida para atingir o maior número possível de eleitores nas seis semanas de campanha.

Na França, em 2017, o candidato de extrema-esquerda à presidente Jean-Luc Mélenchon também usou seu próprio holograma para discursar simultaneamente em sete cidades.

“Esse tipo de solução ainda não temos para o mercado brasileiro, porque é muito caro e pela própria legislação”, disse Cecilio.

Em junho deste ano, o PT chegou a considerar usar a holografia para representar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril, no ato de lançamento de sua candidatura, em Minas Gerais.

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