Por que a microfranquia, barata e para trabalhar de casa, é aposta em 2018

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São Paulo – As microfranquias possuem os estandes mais tímidos da ABF Franchising Expo – mas as propostas mais tentadoras aos visitantes da maior feira de franquias do Brasil. Com aporte inicial de até 90 mil reais, as franquias enxutas são a aposta de muitas redes para continuarem a crescer em um ambiente econômico e político instável para novos investimentos.

Há demanda por esse tipo de unidade franqueada. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising, organizadora do evento, dos 42% dos visitantes que querem abrir seu primeiro negócio próprio, 25% possuem de 51 mil reais a 100 mil reais para investir. É a maior parcela do público, ganhando de outros 24% que possuem de 101 mil reais a 200 mil reais disponíveis e de outros 22% com mais de 201 mil reais e menos de 500 mil reais. O resto dos empreendedores de primeira viagem é composto por quem possui mais ou menos do que as faixas de valores citadas.

Para Adriana Auriemo, diretora de microfranquias da ABF e proprietária da marca Nutty Bavarian, um fator importante para o boom recente das microfranquias, principalmente de 2016 em diante, é a taxa de desemprego no país. “O franqueado vê nesse formato uma excelente oportunidade em momentos difíceis. É a chance de dar certo com um negócio formal, com maiores chances de sucesso do que se aventurar sozinho”. Outro público que vem crescendo é o de jovens, que cada vez mais preferem o empreendedorismo a trilhar uma carreira tradicional de funcionário.

Segundo a última pesquisa Perfil das Microfranquias no Brasil, operavam cerca de 557 marcas com unidades de microfranquia em 2016. Delas, 79,8% atuavam exclusivamente nesse formato. Enquanto isso, 36% das redes que não trabalhavam com o modelo declararam ter interesse em desenvolvê-lo nos próximos anos.

A ABF Franchising Expo possui microfranquias tanto espalhadas pelos corredores da feira quanto em um espaço exclusivo, chamado Boulevard das Microfranquias. EXAME conversou com quatro das 23 franqueadoras presentes no Boulevard sobre o porquê da opção das microfranquias e os planos para o futuro.

Veja alguns motivos para franqueadoras apostarem nas microfranquias:

1 — Atrair seu verdadeiro franqueado

Na Escola Guga Tênis, a decisão por lançar microfranquias veio de um estudo do público que abriria uma escola de tênis com metodologia do tenista Gustavo Kuerten. “Percebemos que o mercado era de nicho, feito por professores de tênis com pouco capital para investir”, afirma Bruno Vieira, diretor da Escola Guga Tênis. As unidades são instaladas em espaços ociosos de academias e clubes, ajudando a reduzir os custos de implantação.

O investimento inicial para abrir uma escola de tênis é de 80 mil reais, com prazo de retorno de 14 a 20 meses. O faturamento médio mensal é de 35 mil reais, com lucratividade média de 25% a 30%. A Escola do Guga possui 48 unidades operando, com 3,1 mil alunos, e espera abrir mais cinco escolas até o fim deste ano.

A franquia Escola do Guga, com metodologia do tenista Gustavo KuertenDivulgação

2 — Conseguir vendedores mais engajados do negócio

Para a Guia-se Negócios pela Internet, rede de agências de marketing digital franqueadas, as microfranquias foram uma forma de obter vendedores mais interessados, donos de suas próprias unidades – 90% delas administradas de casa, no modelo home based.

“Há uma maior responsabilidade e um maior compartilhamento da estratégia da franqueadora no caso de um franqueado, em relação a um vendedor comum”, afirma José Rubens, CEO da Guia-se. O perfil de franqueado buscado é alguém com tino comercial e que seja um “funcionário de sucesso” – não é necessário ter experiência prévia com um negócio próprio.

A rede, criada em 1997, tornou-se franqueadora em 2010 e possui 110 unidades em operação. Até o fim de 2018, espera chegar a 140 agências. O investimento inicial é de 40 mil reais, com prazo de retorno de 6 a 18 meses. O faturamento médio mensal vai de 7 a 20 mil reais, com taxa de lucratividade de 50%.

Franquia Guia-se Negócios pela InternetDivulgação

3 — Oferecer o sonho por um preço acessível

Sylvia Barros trouxe a franquia The Kids Club para o Brasil em 1994, após ver o sucesso da escola de idiomas no Reino Unido. Hoje, a franqueadora possui 85 unidades no país e espera abrir outras 12 neste ano.

“Fiquei encantada com a ideia de ter um bom negócio a partir de um investimento inicial acessível. Por isso nosso carro-chefe é a microfranquia, voltada tanto para quem ama o idioma quanto executivos que querem ter um novo estilo de vida”, afirma a diretora. Para se tornar um franqueado, é necessário ser fluente em inglês e afinidade com a área de educação.

A The Kids Club opera dentro de escolas infantis para reduzir o investimento inicial, assim como acontece na Escola do Guga. O franqueado pode operar de casa (60% dos casos hoje) ou de um escritório, enviando os professores aos locais de ensino.

O investimento inicial no modelo home based é de 40 mil reais, com prazo de retorno de 12 a 18 meses. O faturamento médio mensal vai de 10 mil reais a 12 mil reais, com taxa de lucratividade de 30% a 45%.

Franquia The Kids ClubDivulgação

4 — Potencializar o multifranqueamento

Nádia Benitez, CEO da rede de franquias de exercícios mentais Ginástica do Cérebro, abriu o negócio em 2012 e começou a franquear três anos depois, sempre por microfranquias.

Hoje, a Ginástica do Cérebro possui 22 unidades em operação e pretende abrir mais quatro lojas até o fim deste ano. Segundo a empreendedora, alguns motivos para escolher o formato foram oferecer ao interessado um investimento inicial menor, um retorno mais rápido e a possibilidade de se tornar um multifranqueado da rede – o que, para a franqueadora, gera empreendedores mais comprometidos com a marca.

O investimento inicial para abrir uma escola de neuroaprendizagem da marca é de 50 mil reais a 80 mil reais, com retorno de 18 a 24 meses. O faturamento médio mensal vai de 15 a 30 mil reais, com lucratividade média de 25% a 40%.

Franquia Ginástica do CérebroDivulgação

Benefícios – e cuidados

Do lado das franqueadoras, as microfranquias são uma forma não só de atrair mais franqueados pelo investimento inicial menor, mas também de abrir unidades mais enxutas nas cidades menores – o que permite à rede explorar novos mercados.

Já para o franqueado, a microfranquia é a chance de receber o suporte tradicional de toda franqueadora – conhecimento de mercado, negociação de insumos, publicidade e treinamento gerencial, por exemplo – em troca de um investimento inicial reduzido.

Porém, é preciso ter muita cautela antes de assinar o contrato de franquia. Para Auriemo, é essencial ver se o negócio se encaixa em seu perfil – não só em paixões, mas em horários de trabalho e estilo de gestão da franqueadora. Alinhe suas expectativas com as do franqueador e converse com quem tem ou teve uma franquia da marca.

Por fim, confira seu bolso: tenha mais do que o aporte inicial pedido, para possíveis oscilações de mercado e reinvestimentos necessários. Lembre-se: muito cuidado também com setores “da moda”, presentes também no formato de microfranquia.

O formato é uma grande aposta para este e os próximos anos, unindo a necessidade dos franqueados com o potencial percebido pelas franqueadoras. Mas, como em qualquer empreendimento, as boas oportunidades devem ser acompanhadas de muita estratégia.

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